Conquistar metas ambiciosas, expandir operações e integrar novas equipes são movimentos estratégicos essenciais, mas seu sucesso depende diretamente da força de um ativo intangível e poderoso: as pessoas. A verdadeira fronteira entre o crescimento sustentável e o caos organizacional reside exatamente no desafio que é manter as pessoas conectadas, motivadas e alinhadas a um propósito comum.
Tudo isso se torna ainda mais complexo em empresas de alto crescimento, nas quais a cultura que uniu os primeiros colaboradores corre o risco de se diluir a cada nova contratação ou aquisição. A pergunta que ecoa nos corredores e nas reuniões de liderança é sempre a mesma: como escalar o negócio sem perder a alma?
De acordo com uma pesquisa recente da Gallup, empresas com alto engajamento são 21% mais lucrativas do que aquelas com baixos níveis de engajamento. No entanto, segundo o mesmo levantamento, apenas cerca de 23% dos colaboradores globalmente se consideram engajados no trabalho, o que impacta negativamente na produtividade e aumento do turnover.
A busca por um propósito comum
O primeiro e talvez mais fundamental desafio é a transição de uma motivação puramente financeira para uma conexão baseada em propósito. Profissionais talentosos não buscam apenas um bom salário e um pacote de benefícios; eles anseiam por fazer parte de algo maior, por sentir que seu trabalho diário contribui para uma visão que os inspira.
O desafio para as lideranças é traduzir a missão da empresa em ações e narrativas que ressoem com cada colaborador. Em um ambiente de rápida expansão, com a integração de novas empresas e culturas, o objetivo deve ser comunicar esse propósito de forma clara e consistente. Não basta tê-lo estampado na parede; é preciso que ele seja vivenciado pelos líderes, refletido nas decisões estratégicas e celebrado nas pequenas e grandes vitórias.
Como expandir sem diluir a cultura?
Empresas que, como a Sankhya, seguem uma jornada de aquisições e expansão acelerada, enfrentam o desafio de integrar times com histórias, métodos e valores distintos. A cultura, antes coesa e orgânica, pode se fragmentar. O sentimento de “pertencimento” que existia em uma equipe de 100 pessoas é muito mais difícil de replicar em uma organização com milhares de colaboradores espalhados por diversas unidades.
Manter a coesão cultural exige um esforço deliberado e estratégico. Isso envolve ações como onboardings imersivos (com um verdadeiro mergulho na história e na cultura da empresa), comunicação transparente (com informações claras sobre os rumos da empresa, os motivos das decisões recentes etc), líderes que servem como guardiões da cultura (eles, afinal, são mentores e exemplos dos valores da organização), dentre outras.
Tudo se trata de uma jornada de construção contínua
Manter um time engajado não é um projeto com início, meio e fim, mas uma jornada que flui de forma ininterrupta. Exige que o propósito e a visão sejam fortes, que a cultura seja nutrida intencionalmente durante o crescimento e que as lideranças sejam preparadas para conectar e inspirar pessoas.
Em um mundo que busca eliminar o caos através de sistemas e processos, o verdadeiro diferencial competitivo reside na capacidade de criar uma ordem que nasce da paixão, do alinhamento e do sentimento de pertencimento. Investir nisso é a fundação para construir um negócio que não só atinge resultados, como é o caso da Sankhya, mas que o faz de forma perene, relevante e, acima de tudo, humana.
Por Mariá Menezes, Diretora de Pessoas e Cultura da Sankhya