Em meio à correria do dia a dia, cuidar do corpo e da mente parece uma missão quase impossível. Muitos profissionais acumulam jornadas duplas – trabalho e estudos, dois empregos ou responsabilidades familiares, por exemplo – e não é nada incomum passarem mais tempo no trânsito e em reuniões do que cuidando de si. Nesse cenário, o papel das empresas na promoção do bem-estar dos colaboradores se torna ainda mais necessário e estratégico.
“Movimentar o corpo por poucos minutos ao longo do expediente já é um começo”, diz Adrielen Smidt, gerente de Recursos Humanos da Plena Saúde. Segundo ela, ações simples como a ginástica laboral ou breves alongamentos entre uma tarefa e outra podem melhorar a circulação, combater o sedentarismo e até aumentar o foco.
Mas quando a rotina é exaustiva, como no caso de quem sai cedo de casa e só retorna à noite, até esses pequenos cuidados parecem distantes. Nesse cenário, Adrielen defende práticas que exigem pouco tempo, mas têm alto impacto. “Uma pausa de dois minutos para respiração consciente, por exemplo, ajuda a reduzir o cortisol, hormônio do estresse, e melhora a clareza mental”, explica. “Em três minutos, um simples alongamento em pé ou sentado já pode fazer a diferença”, acrescenta.
A recomendação está em sintonia com pesquisas da área da saúde. Segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o estresse ocupacional custa à economia global cerca de 1 trilhão de dólares por ano, devido à perda de produtividade. E dados do IBGE mostram que mais de 30% da população brasileira sofre de distúrbios do sono, muitas vezes causados por jornadas de trabalho extensas e maus hábitos relacionados à alimentação e ao descanso.
O papel das empresas: da conscientização à ação concreta
“O sono e a alimentação ainda são subestimados”, destaca Adrielen. Na visão da profissional de RH, mais do que falar sobre esses temas, é necessário criar ambientes propícios ao autocuidado. Isso pode incluir pausas regulares estimuladas pelas lideranças, espaços silenciosos para descanso e políticas que não fiquem apenas no papel.
Na Plena Saúde, algumas iniciativas têm buscado esse equilíbrio. “Fazemos parcerias com eventos de corrida nos bairros e oferecemos inscrição gratuita para os funcionários”, afirma. A empresa também realiza a ‘sexta saudável‘, em que frutas são distribuídas no escritório, promovendo hábitos alimentares mais equilibrados.
Essas ações não são apenas simbólicas, elas impactam diretamente a cultura da empresa e a percepção de cuidado por parte dos colaboradores. “Quando a organização valoriza o descanso, ela reduz afastamentos, evita erros operacionais e retém talentos. Promover o bem-estar é também uma decisão de gestão inteligente”, reforça a gerente de RH.
Bem-estar sem imposição
Apesar da crescente adesão a programas de saúde corporativa, muitas empresas ainda cometem erros na hora de implementá-los. Um dos principais, segundo Adrielen, é transformar o bem-estar em um checklist de obrigações pessoais, o que pode gerar mais culpa do que cuidado.
“Mensagens do tipo ‘você precisa meditar, se exercitar, comer bem…’ soam como cobrança e não como incentivo. O bem-estar deve ser um convite, não uma pressão”, argumenta. É fundamental que as ações estejam conectadas com a realidade e as possibilidades de cada colaborador, e que o cuidado com a saúde não se transforme em mais uma fonte de ansiedade.
Adrielen finaliza ao reforçar que a chave está no equilíbrio entre oferecer recursos e respeitar a autonomia das pessoas. “As empresas devem se envolver, sim, mas de forma respeitosa. Criar um ambiente que apoie o autocuidado é mais eficaz do que impor um estilo de vida idealizado que nem todos conseguem seguir.”